não se descobrem novos oceanos se não se tiver coragem de perder a terra de vista. (andré gide)
terça-feira, 19 de dezembro de 2006
Schopenhauer num dia de calor
hoje acordei inteira, meio gauche, meio droit. nesses dias, de ar rarefeito, volto à Schopenhauer, num ensaio sobre a dor. a vida de cada homem - e como exige a dedução, a minha inclusive - carrega em seu aspecto mais minucioso, a face de comédia. mas que também, naquilo que é aparente, a vida do homem é uma contemplação trágica. E sigo o filósofo, sem tirar nem por: “o trabalho, os desejos, os medos cotidianos, as desgraças de cada hora, os acasos da sorte sempre disposta a nos enganar são outras tantas cenas da comédia”. conectados, o escárnio e o desespero não nos permitem conservar a dignidade de uma personagem trágica, por isso, como sobreviventes, representamos o papel de cômicos, esse o intento de cada ato, dia pós dia. depois, o nocaute do poeta, “os meus sonhos foram todos vendidos, tão barato que eu nem acredito...” e assim, vejo minha breve vida, um capítulo menor, é verdade, dessa tragicomédia ordinária coletiva, mas como exige a lógica, aí também enceno meu papel. o filósofo não é mesmo complacente, ah isso não: “as aspirações iludidas, as ilusões desfeitas, os erros que completam nossa vida, as dores que se acumulam até terminar na morte, o último ato, eis a tragédia.” a morte, a imunidade de nossa compaixão. hoje acordei inteira, meio trágica, meio cômica, num dia de escasso sabor.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Meteorologia
as previsões sempre se cumprem aqui:
amanhã teremos um domingo de sol.
então, vou contemplar essa luz
que irradia em esplendor...
não como hoje,
que nem notei se era dia ou noite,
tão narcotizada que estava em meu silêncio.
amanhã teremos um domingo de sol.
então, vou contemplar essa luz
que irradia em esplendor...
não como hoje,
que nem notei se era dia ou noite,
tão narcotizada que estava em meu silêncio.
A velha e a nova

Listas, também tenho as minhas. sobre algumas coisas que vi e li. de extra, o que fez falta neste ano que finda e algumas ilações para 2007.
Filmes
O Céu de Suely, Karim Aïnouz.
Iguatu, cidade do Ceará, sertão profundo, céu azul. Ali, basta ligar a câmera e o céu hiper iluminado aparece em sua generosidade. Esta, no entanto, não é a condição de vida da protagonista do Céu de Suely, uma mulher que volta a terra natal com um filho no colo, deixou seu marido em São Paulo que desaparece. Fragilizada pelo abandono, tenta se deslocar, para outro caminho que ela mesma não sabe qual é. Fugir do vazio, da imobilidade do tempo e do lugar. Busca então uma salvação para sua condição. O filme tem - además da luz do sertão, a fotografia estourada e linda, a trilha sonora, a competente direção de atores - um ótimo argumento. (um filme que traz algo de mim...)
Plataforma, Jia Zhang-te.
Um filme contemplativo, com a exploração de espaços e tempos, simplificação de diálogos e cheio de referências à geração do jovem diretor Jia Zhang-te. A pós-revolução cultural chinesa e a abertura de suas fronteiras ao ocidente, o tema dessa película. A música, a propaganda, a implosão dos espaços e dos valores cotidianos contemplam o olhar para os dilemas entre o novo e o velho na China contemporânea.
http://www.contracampo.com.br/63/jiazhangke.htm
O Sabor da Melancia, Ming-Liang
Um filme intrigante, com um roteiro idem do diretor tailandês Tsai Ming-Liang. Numa metrópole há falta de água e uma invasão de formigas e melancias. Mas o enredo centra-se na relação de um homem e uma mulher e na falta de comunicação entre seres humanos. Composições de cenas interessantes, o diretor brinca com cores, silêncios, símbolos e metáforas. Para ver, ouvir, refletir e entediar.
Livros
Juventude, de J.M.Coetzee (Nobel de Literatura 2003).
Jonh, jovem aspirante a escritor, sai da Cidade do Cabo para se aventurar na Londres dos anos 60. Um ser à deriva: não se livra de sua condição de estrangeiro, nem das tiranias de sua consciência. Pelas ondas do rádio escuta poesias de seu tempo e, às vezes é feliz, por morar no mesmo planeta de poetas como Joseph Brodsky, Ingeborg Bachmann, Zbigniew Herbertyum. Um livro que nos faz viver literatura.
Eu não sou cachorro não. Paulo César de Araújo.
Mais que um livro com um título bacana, esse cahier de memórias e densa tese trata do lugar da música popular cafona no tempo da ditadura militar. Sem pisar no território comum do que já foi escrito, falado, propagado sobre os anos de chumbo, o autor subverte o senso comum que os cantores e compositores cafonas eram cúmplices com o regime, e comprova, ainda, que muitos artistas da MPB estiveram bem mais próximos dos militares.
Música
- Jorge Drexler: 12 segundo de oscuridad
- Chico Buarque, Carioca
- Antony & the Johnsons, I am a bird now
- Aviões do Forró, Vol 3
- Cidadão Instigad, O método túfo de experiências
- Nação Zumbi, Futura
- Vanessa da Mata, Essa boneca tem manual
- Dj Dolores, Aparelhagem.
Televisão
No direction home. Bob Dylan (Telecine)
Documentário de Martin Scorsese sobre os primeiros anos (1961-1966) desse herói folk, nascido Robert Allen Zimmerman. Dylan abriu suas memórias para o diretor contando, entre outras coisas, de suas influências - Hank Williams, Muddy Waters, Johnny Ray, Woody Guthrie. E mais, os depoimentos de personalidades como Allen Ginsberg, Joan Baez, Dave von Ronk, Suze Rotolo, Pete Seeger etc. No direction home é um documentário definitivo sobre Dylan.O DVD, já lançado no Brasil, acompanha extras com apresentações inéditas.
Na Vênus Platinada
Central da Periferia, em Fortaleza, o melhor de todos. O quadro Minha Periferia faz ver o “show da vida” e depois desligar a tv. Cobras & lagartos: novela das 7, bom humor, crítica ao consumismo e um roteiro sem muito açúcar e afeto.
2006: o quê fez falta
- ver o sol morrer no mar
- comer um cachorro-quente na esquina
- dançar
- encontrar mais meus amigos
- viajar para Juazeiro do Norte
- andar pela cidade sem destino
- ver você fazer um gol bonito
- chorar com a miséria de cada dia
- dar tempo ao tempo
- ouvir John Coltrane, numa tarde tranqüila
- ler mais poesia (nunca é demais)
2007: programas imperdíveis
- subir a serra e saborear fondue de chocolate
- retomar a escrita do roteiro sobre Floro Bartolomeu
- fazer um curta
- visitar o Ricardo, aonde quer que ele esteja
- me desfazer de vários livros
- dizer que te amo no café da manhã
- tomar banho de mar e comer caranguejo com uma gelada
- pedalar mais minha bike
- dirigir devagar pela direita e transitar pela esquerda, sem culpa
- ir de carro até Pipa, com a família, sem pressa
- pegar o sol com a mão.
Prá você que é meu natal, feliz amor!
Para todos, Feliz Ano Novo!
domingo, 10 de dezembro de 2006
Minha Mãe
by Amy Tam
As palavras mais abomináveis que disse em minha vida para outro ser humano foram para minha mãe. Eu tinha dezesseis anos. Surgiram de meu peito atormentado e as deixei cair como uma fúria de granizo:
- Te odeio, desejava que estivesse morta.
Esperei que se desmoronasse, atingida pela crueldade de minhas palavras, porém ela seguiu de pé e fortalecida, com a maçã do rosto levantada e os lábios estirados num sorriso de louca.
- Muito bem, suponha que morro - disse ela, então já não serei tua mãe.
Tínhamos muitas coisas parecidas. Uma vez tentou se matar de verdade, correndo na rua, sustentando uma faca contra a garganta. Ela também tinha o peito atormentado. E o que lançava em minha direção era rápido e mortal feito raios.
Depois de longas discussões não falava comigo durante dias, me torturava, era como se não sentisse absolutamente nada por mim. Para ela eu estava perdida. E eu perdia uma batalha depois de outra, perdia todas: nas vezes em que me criticava, me humilhava diante de outros, me proibia de fazer isto ou aquilo, sem sequer escutar meus argumentos. Jurei para mim mesma que jamais esqueceria essas injustiças. As guardaria, endureceria meu coração, me faria tão impenetrável como ela.
Recordo isto agora porque também recordo outra ocasião, faz uns dois anos, eu tinha 47 anos e já era uma pessoa distinta, havia me convertido em escritora, em alguém que usa a memória e a imaginação. E precisamente estava escrevendo uma história sobre uma menina e sua mãe quando o telefone tocou.
Era minha mãe, o que me surpreendeu. Alguém teria ajudado ela fazer a ligação? Há três anos tinha começado a perder a memória devido ao Alzheimer. No inicio, esquecia de passar a chave na porta. Depois esqueceu onde vivia. Esqueceu quem eram as pessoas e o que elas significavam. Ultimamente era incapaz de recordar muitas de suas dores e preocupações.
- Amy – disse, e começou a falar rapidamente em chinês – Algo acontece com minha cabeça. Acho que estou ficando louca.
Contive a respiração. Normalmente podia dizer apenas duas palavras seguidas.
- Não te preocupes – comecei a dizer.
- É verdade – prosseguiu. Sinto-me como se não pudesse recordar de muitas coisas. Não me lembro do que fiz ontem. Não me lembro do que aconteceu muito tempo atrás, do que te fiz...
Falava como alguém que estava se afogando e tinha conseguido tirar a cabeça da água, pela força da vontade de viver, e se dava conta que a margem estava muito longe, do quanto era impossível alcançá-la. Falou desesperadamente.
- Sei que fiz algo para te fazer mal.
- Não –disse eu - É sério, não te preocupes.
- Fiz coisas terríveis. Porém agora não me lembro o quê. E apenas quero te dizer isso. Espero que possas esquecer da mesma forma que eu esqueci.
Tentei rir para que ela não percebesse que me partia a voz
– É sério, não te preocupes.
- Certo, só queria que soubesse disso.
Depois de desligar chorei de felicidade e também de tristeza. Voltei a ser uma menina de dezesseis anos, porém a angústia que tinha no peito havia desaparecido.
Minha mãe morreu seis meses depois. Mas antes me deixou as melhores palavras para me curar, tão sinceras e eternas como o extenso céu azul. Juntas sabíamos, em nossos corações, o que devíamos recordar e o que podemos esquecer.
IN: The New Yorker.
dezembro de 2001.
Traduzi de La Insignia
As palavras mais abomináveis que disse em minha vida para outro ser humano foram para minha mãe. Eu tinha dezesseis anos. Surgiram de meu peito atormentado e as deixei cair como uma fúria de granizo:
- Te odeio, desejava que estivesse morta.
Esperei que se desmoronasse, atingida pela crueldade de minhas palavras, porém ela seguiu de pé e fortalecida, com a maçã do rosto levantada e os lábios estirados num sorriso de louca.
- Muito bem, suponha que morro - disse ela, então já não serei tua mãe.
Tínhamos muitas coisas parecidas. Uma vez tentou se matar de verdade, correndo na rua, sustentando uma faca contra a garganta. Ela também tinha o peito atormentado. E o que lançava em minha direção era rápido e mortal feito raios.
Depois de longas discussões não falava comigo durante dias, me torturava, era como se não sentisse absolutamente nada por mim. Para ela eu estava perdida. E eu perdia uma batalha depois de outra, perdia todas: nas vezes em que me criticava, me humilhava diante de outros, me proibia de fazer isto ou aquilo, sem sequer escutar meus argumentos. Jurei para mim mesma que jamais esqueceria essas injustiças. As guardaria, endureceria meu coração, me faria tão impenetrável como ela.
Recordo isto agora porque também recordo outra ocasião, faz uns dois anos, eu tinha 47 anos e já era uma pessoa distinta, havia me convertido em escritora, em alguém que usa a memória e a imaginação. E precisamente estava escrevendo uma história sobre uma menina e sua mãe quando o telefone tocou.
Era minha mãe, o que me surpreendeu. Alguém teria ajudado ela fazer a ligação? Há três anos tinha começado a perder a memória devido ao Alzheimer. No inicio, esquecia de passar a chave na porta. Depois esqueceu onde vivia. Esqueceu quem eram as pessoas e o que elas significavam. Ultimamente era incapaz de recordar muitas de suas dores e preocupações.
- Amy – disse, e começou a falar rapidamente em chinês – Algo acontece com minha cabeça. Acho que estou ficando louca.
Contive a respiração. Normalmente podia dizer apenas duas palavras seguidas.
- Não te preocupes – comecei a dizer.
- É verdade – prosseguiu. Sinto-me como se não pudesse recordar de muitas coisas. Não me lembro do que fiz ontem. Não me lembro do que aconteceu muito tempo atrás, do que te fiz...
Falava como alguém que estava se afogando e tinha conseguido tirar a cabeça da água, pela força da vontade de viver, e se dava conta que a margem estava muito longe, do quanto era impossível alcançá-la. Falou desesperadamente.
- Sei que fiz algo para te fazer mal.
- Não –disse eu - É sério, não te preocupes.
- Fiz coisas terríveis. Porém agora não me lembro o quê. E apenas quero te dizer isso. Espero que possas esquecer da mesma forma que eu esqueci.
Tentei rir para que ela não percebesse que me partia a voz
– É sério, não te preocupes.
- Certo, só queria que soubesse disso.
Depois de desligar chorei de felicidade e também de tristeza. Voltei a ser uma menina de dezesseis anos, porém a angústia que tinha no peito havia desaparecido.
Minha mãe morreu seis meses depois. Mas antes me deixou as melhores palavras para me curar, tão sinceras e eternas como o extenso céu azul. Juntas sabíamos, em nossos corações, o que devíamos recordar e o que podemos esquecer.
IN: The New Yorker.
dezembro de 2001.
Traduzi de La Insignia
domingo, 3 de dezembro de 2006
Depois de uma partida de futebol
“...às oito horas tenho que está na posição de atendimento da empresa. já são três horas, e essa cerveja não me deixa sair daqui”... . verte o copo e reproduz sua fala no telemarketing: “Bom dia senhor! Você está falando com Jonas, da Telemar, seu CPf é...?” naquela noite ele saiu para jogar futebol com seus amigos. fim de jogo, precisavam comemorar a vitória do time. Jonas não imaginava que a noite apenas começava naquele bar de terceira, bebida de primeira, centrado no coração da Varjota. sua bermuda de estampas hawai combinava com o nome do lugar: Caribe´s Bar. afora o nome, o lugar não lembrava em nada o clima caribenho. velhas mesas mal-arrumadas, toalhas com cheiro de mofo, luzes de mercúrio acentuavam o aspecto sujo e suspeito do ambiente. um senhor ao teclado sussurrava músicas, a voz quase inaudível e os acordes programados faziam qualquer canção executada ser sempre a mesma. mas a vida pulsava no Caribe´s Bar naquela terça-feira. de chegada, Jonas viu um homem solitário, meio estranho paranormal, aspecto de Nosferatu. esse cidadão revelou-se, no mais adiantado da hora, ser o melhor jogador de sinuca dali. tendo sido ameaçado, apenas, por uma moça de cabelo acobreado, que parecia não saber a mira de sua vida, mas que acertava o alvo das bolas. Jonas não compreendia a poesia de Caio Fernando Abreu falada por uma jovem de cabelos curtos, sorridente, ar de carente, que se afirmava pela voz do poeta, talvez não lhe diziam respeito, não àquela hora da noite, as dores do mundo ou o pequeno vasto mundo daquelas frases... atento mesmo somente à voz de um companheiro seu, que insistia em acompanhar o crooner do bar, com perfomances bizarras para canções preferidas por boêmios - ou bêbado de ocasião – esse o seu estado... Jonas perambulou pelas mesas do bar. encontrou uma portuguesa, menina bonita, acompanhada de um jovem também belo, que fumava e falava muito com sotaque marcado, ele não reconhecia seu próprio idioma . “como? o que ela disse?”, sem tradutor, desistiu da conversa. em outra mesa ouviu por cinco minutos uma discussão política que lhe causou tédio momentâneo. levantou-se e postou-se no balcão do bar, a janela que se comunica com a cozinha. o melhor posto de observação do lugar. são três horas e seus freqüentadores chegam. gente e fumaça de cigarro inflamam o ambiente, logo forma-se uma fila para disputar com Nosferatu as partidas de sinuca. Jonas pensa “e se eu esquecer o texto que tenho que dizer pros clientes? sim, isso pode acontecer, estou nesse estado e cedo vou me posicionar no PA...”. repassou as frases que repete, em média cento e cinqüenta vezes por dia ao telefone, mas mesmo assim poderia errar, ele sabia disso. parou o texto quando aportaram seis garotas. sentaram-se, pediram cerveja e depois de dez minutos, em grupo de duas, entravam no banheiro. voltavam felizes, sorrindo, e a conversa delas animava o bar. queria ser o pachá daquele harém, ah se queria. trocou olhares e sorrisos com as moças. imaginava de qual planeta desceram aquelas mulheres, de roupas e maquiagem escuras, cabelos desalinhados, pareciam saídas de uma revista de moda. a mais bela das moças, segundo julgamento de Jonas, cruzou seu olhar com o dele. ela deteve-se, ele olhou pro lado para não restar dúvida. era verdade, ela mesma encarava seus olhos amendoados. linda, maravilhosa com aquele cigarro na mão, a pele branca porcelana contrastava com seus cabelos negros de mechas lilás, batom escuro, um piercing na sobrancelha, Jonas foi ao paraíso através de seus olhos. pensou como era diferente de sua namorada, Brenda, sempre de argolas enormes nas orelhas, saltos altíssimos, mini-saias e o cabelo de chapinha japonesa. a moça segue ao banheiro e Jonas acompanha a partida de sinuca entre o Nosferatu e a mulher, os perdedores também estavam absortos nos lances, silenciosos. Daí que a moça saiu do banheiro e postou-se a seu lado. ele não a percebeu até ouvir sua voz: “que tal você sentar com a gente?” perguntou a guapa. recuperado do susto, Jonas não hesitou e lá estava em seu harém... a partir daí, nenhum motivo o desviaria da mesa. um olhar em direção à seus amigos seria a senha para a aproximação de qualquer um deles, isso quedaria fatal. o Eduardo, aqui, seria demolidor, qualquer conversa sua seduz até mesmo uma estátua de pedra. não, ele não iria sabotar a sorte grande. uma das moças pediu a conta. e sua amiga, sim ele já a considerava sua amiga, convidou-o para sair do bar com elas. às cinco da manhã Jonas seguiria com as moças, sem querer saber qual destino, apenas um aceno para os colegas... já numa estrada se escutava a música... jamais tinha ido a uma rave, fato inconfessável. aquela batida e som altos afetavam seu espírito. ingeriu uma pastilha branca e bebeu e fumou e gargalhou e dançou... neste instante, Jonas está deitado num quarto escuro, o texto do telemarketing deletado, em definitivo, de sua mente, o corpo em tiras e seu mundinho suburbano em demolição.
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