sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

A velha e a nova


Listas, também tenho as minhas. sobre algumas coisas que vi e li. de extra, o que fez falta neste ano que finda e algumas ilações para 2007.

Filmes

O Céu de Suely, Karim Aïnouz.

Iguatu, cidade do Ceará, sertão profundo, céu azul. Ali, basta ligar a câmera e o céu hiper iluminado aparece em sua generosidade. Esta, no entanto, não é a condição de vida da protagonista do Céu de Suely, uma mulher que volta a terra natal com um filho no colo, deixou seu marido em São Paulo que desaparece. Fragilizada pelo abandono, tenta se deslocar, para outro caminho que ela mesma não sabe qual é. Fugir do vazio, da imobilidade do tempo e do lugar. Busca então uma salvação para sua condição. O filme tem - además da luz do sertão, a fotografia estourada e linda, a trilha sonora, a competente direção de atores - um ótimo argumento. (um filme que traz algo de mim...)


Plataforma, Jia Zhang-te.

Um filme contemplativo, com a exploração de espaços e tempos, simplificação de diálogos e cheio de referências à geração do jovem diretor Jia Zhang-te. A pós-revolução cultural chinesa e a abertura de suas fronteiras ao ocidente, o tema dessa película. A música, a propaganda, a implosão dos espaços e dos valores cotidianos contemplam o olhar para os dilemas entre o novo e o velho na China contemporânea.

http://www.contracampo.com.br/63/jiazhangke.htm


O Sabor da Melancia, Ming-Liang

Um filme intrigante, com um roteiro idem do diretor tailandês Tsai Ming-Liang. Numa metrópole há falta de água e uma invasão de formigas e melancias. Mas o enredo centra-se na relação de um homem e uma mulher e na falta de comunicação entre seres humanos. Composições de cenas interessantes, o diretor brinca com cores, silêncios, símbolos e metáforas. Para ver, ouvir, refletir e entediar.


Livros

Juventude, de J.M.Coetzee (Nobel de Literatura 2003).

Jonh, jovem aspirante a escritor, sai da Cidade do Cabo para se aventurar na Londres dos anos 60. Um ser à deriva: não se livra de sua condição de estrangeiro, nem das tiranias de sua consciência. Pelas ondas do rádio escuta poesias de seu tempo e, às vezes é feliz, por morar no mesmo planeta de poetas como Joseph Brodsky, Ingeborg Bachmann, Zbigniew Herbertyum. Um livro que nos faz viver literatura.

Eu não sou cachorro não. Paulo César de Araújo.

Mais que um livro com um título bacana, esse cahier de memórias e densa tese trata do lugar da música popular cafona no tempo da ditadura militar. Sem pisar no território comum do que já foi escrito, falado, propagado sobre os anos de chumbo, o autor subverte o senso comum que os cantores e compositores cafonas eram cúmplices com o regime, e comprova, ainda, que muitos artistas da MPB estiveram bem mais próximos dos militares.

Música

- Jorge Drexler: 12 segundo de oscuridad
- Chico Buarque, Carioca
- Antony & the Johnsons, I am a bird now
- Aviões do Forró, Vol 3
- Cidadão Instigad, O método túfo de experiências
- Nação Zumbi, Futura
- Vanessa da Mata, Essa boneca tem manual
- Dj Dolores, Aparelhagem.


Televisão

No direction home. Bob Dylan (Telecine)

Documentário de Martin Scorsese sobre os primeiros anos (1961-1966) desse herói folk, nascido Robert Allen Zimmerman. Dylan abriu suas memórias para o diretor contando, entre outras coisas, de suas influências - Hank Williams, Muddy Waters, Johnny Ray, Woody Guthrie. E mais, os depoimentos de personalidades como Allen Ginsberg, Joan Baez, Dave von Ronk, Suze Rotolo, Pete Seeger etc. No direction home é um documentário definitivo sobre Dylan.O DVD, já lançado no Brasil, acompanha extras com apresentações inéditas.

Na Vênus Platinada

Central da Periferia, em Fortaleza, o melhor de todos. O quadro Minha Periferia faz ver o “show da vida” e depois desligar a tv. Cobras & lagartos: novela das 7, bom humor, crítica ao consumismo e um roteiro sem muito açúcar e afeto.


2006: o quê fez falta

- ver o sol morrer no mar
- comer um cachorro-quente na esquina
- dançar
- encontrar mais meus amigos
- viajar para Juazeiro do Norte
- andar pela cidade sem destino
- ver você fazer um gol bonito
- chorar com a miséria de cada dia
- dar tempo ao tempo
- ouvir John Coltrane, numa tarde tranqüila
- ler mais poesia (nunca é demais)

2007: programas imperdíveis

- subir a serra e saborear fondue de chocolate
- retomar a escrita do roteiro sobre Floro Bartolomeu
- fazer um curta
- visitar o Ricardo, aonde quer que ele esteja
- me desfazer de vários livros
- dizer que te amo no café da manhã
- tomar banho de mar e comer caranguejo com uma gelada
- pedalar mais minha bike
- dirigir devagar pela direita e transitar pela esquerda, sem culpa
- ir de carro até Pipa, com a família, sem pressa
- pegar o sol com a mão.

Prá você que é meu natal, feliz amor!

Para todos, Feliz Ano Novo!

5 comentários:

pdru disse...

jah tah tudo a anotado p conferir nesse feiado mais q prolongado.

amo.

Assim é, se lhe parece disse...

Pedalar???
Bem, boa lista, fora as coisas cansativas!! rsrsrs
beijos meu natal!

ahaha
fui...

maria. disse...

queria ter visto "O Sabor da Melancia". pena que acabei me perdendo em outras coisas e acabei esquecendo de procurar. e o "no direction home" é ótimo. adorei.

beijos simone. feliz natal :D

curveiro disse...

me deu vontade de pegar aquele caderninho tamanho escolar e uma caneta, anotar todas essas dicas e executá-las religiosamente.

um feliz tudo novo.
=]

Simone disse...

e prá você menino-nuvem,
feliz, feliz,
que alcance aquele
sonho de imagens em movimento...
bjo