sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Ad Infinitum

"esta crônica é prá você, oh meu amor..."

submergimos em conversas. num bar que não lembro o nome, plantado numa esquina. chegamos o lugar ainda vazio. um garçom, numa das mesas, lia um livro e exibia uma tatuagem que me encantou e você nem ligou. uma garçonete agradável nos atendeu. pedimos uma cerveja, seu gosto, meio amargo, me traz sempre lembranças bem felizes... e também me passa o filme de comerciais da marca: um deles, uma história de um vampiro que prefere o líquido de uma long neck ao sangue de sua vítima; um outro, o lobo mal que não come a vovozinha e bebe todas as latinhas que estavam na geladeira da indefesa velhinha... cada comercial, em preto e branco, trazia em cores a garrafa verde e seu conteúdo surgia como a seiva da vida. esse era, pois, o mesmo elixir que tomamos naquela noite, quando celebramos a vida, em companhia de uma tela de plasma que exibia clipes. pensei: melhor que voz e violão... enquanto as músicas se sucediam e distraiam olhos e ouvidos, íamos conversando sobre nós, mais você sobre você, dizendo coisas que têm a maior importância, banalizadas entre comentários sobre a trilha do bar. elegíamos afinidades: chico, caetano, cazuza, fred mercury, cássia eller, o rappa, los hermanos.... toni garrido eu gosto, você não. djavan, eu detesto, incondicionalmente e você faz concessões, vê beleza em "Se".!!! então tá, me diz... qual maior estupidez escrita/cantada que a rima: “São Jorge por favor me empresta o dragão/mais fácil aprender japonês em braile/do que você decidir se dá ou não”? ah! isso não combina nada com teus sinais de delicadeza, como quando me apresentou Ana Cristina César. “frente a frente, derramando enfim todas as palavras, dizemos, com os olhos, do silêncio que não é mudez”... naquela altura os habitantes do bar se anunciavam. ali uma tribo demarca seu território, eles fumam e se vestem com ilusória exclusividade... talvez venham ouvir aquela seleção de músicas, nada inusitada... dispersão, a cerveja já mostrava seu poder de extermínio. hora de deter o estrago anunciado. a seguir, a alma incauta, proferiria sentenças veladas no resto da noite. a ressaca, sem tamanho, seria mitigada apenas, sim, apenas por outra poesia, dita ao telefone, que provocou, afinal, o desejado sono intenso do outro dia. acordei, somente, quando li a minuta de amor e vi minha cara estampada numa pintura impressionista, refletindo sobre esses e outros estilhaços que nos carregam ad infinitum ...

4 comentários:

Anônimo disse...

Hoje ouvi uma música do Cazuza:
"Pra quê chorar? A vida é bele e cruel despida, tão desprevenida e exata, que um dia acaba..."

Ricardo Imaeda disse...

obrigado por sua visita e comentário em minha página.
como é bom conhecer novos autores, novos amigos!
um grande abraço.

Dudu disse...

Simoní... fudido!
beijos....

Leonardo Sá disse...

Lindo demais!!!! Se garante. Beijo.