quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Stand by

ou crônica de um dia de eleição
domingo, 29 de outubro. bem cedo vejo apressadamente um jornal, navego também por outras mídias, uma revista, um blog jornalístico. como Caetano, pergunto, “quem lê tanta notícia?” hoje é dia de eleição lembram as manchetes dos meios. a seguir faço o caminho da casa de minha mãe, e logo, uma parada obrigatória na sessão eleitoral. votar e almoçar: necessidades básicas. enquanto espero a hora de teclar, observo o movimento dos eleitores. essa cidade é vermelha, concluo. sol quente aquece mais o dia de votação. penso sobre a política. recordo um filósofo que disse, lucidamente, que precisamos repolitizar a esfera política e fazer o mundo mais humano. uma outra caminhada a se fazer. me parece urgente e bem mais longa. vou sim, repolitizar minha vida, minhas ações no mundo. decisão irrevogável. e entre especulações sobre o menu do almoço de domingo, tento me organizar. primeiro, saber dos fundamentos da política. começar, claro, pelo básico: A República(Platão) Do Contrato Social, (Rousseau) depois o fundamental, Democracia na América (Tocqueville), o Manifesto Comunista, (Marx) - melhor a edição em quadrinhos, leitura rápida e mais prazerosa - finalizar com a importância da política como ação, como processo, A Condição Humana (Hannah Arendt). ler, reler, rever posições. revolver! depois pegar a arma, digo, o verbo: discutir, contaminar os espaços com o firme discurso. e também tomar posições, atitudes...
tenho o pressentimento que essa seleção será derrotada pelos livros de poesia, os romances que me esperam enfileirados, sempre existem bons livros em stand by , e os filmes, e a praia, imprescindíveis à felicidade e o trabalho e os fazeres domésticos, tudo o que consome a existência. então, como inserir a política nessa agenda? qual mágica me transformará num ser consciente, politicamente correto, com ideologia definida, me situando estrategicamente? não posso mais fazer parte dessa horda de cooperados involuntários despolitizados. a aspiração de humanizar o mundo me mobiliza, nesse dia de eleição. melhor então fazer uma faxina do essencial e do supérfluo nessa agenda. então, combinado, fica prá depois do Carnaval, essa leitura obrigatória e a ação conseqüente (teoria+prática).mas antes tenho que contribuir com a democracia, votar. fortalecer nossa frágil democracia que ainda em sua infância, prescinde da via eleitoral....
então, será simples, teclar o número cabalístico, 13. e esperar, em estado de alerta, a virada do ano. novembro vem aí, depois natal, reveillon e já já é Carnaval. então, ano novo, práxis política nova, pois, por enquanto, certamente o melhor do dia será me deliciar na cozinha de mi madre.

2 comentários:

Assim é, se lhe parece disse...

Pior que votei no sapo barbudo... Fique com medo do Alckimin.

Ei professora, eu te ensino colocar o link, é só agente entrar num computador. É complicado explicar por computador. Qualquer dia a gente conbina de chegar uns 10 minutinhos mais cedo, blz?

Beijão professora.

Víctor Furtado disse...

Sapo barbudo , Snoc na horda dos despolitizados.

Votei o 13. Mas foi o 13+32.
de qualquer forma, foi a decisão mais consciente, independente do presidente.

tenho que parar de fazer rimas.